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postado por Equipe Ideias na Mesa em Terça-feira, 04 de Julho de 2017

O Ideias compartilha o texto de Renata Menasche, Carmen Machado e Vania Thies mostrando o belo trabalho desenvolvido pela equipe de pesquisa Saberes e Sabores da Colônia para documentar o patrimônio alimentar da região da Serra dos Tapes.   

Desde 2011 a equipe multidisciplinar reunida em torno da agenda de pesquisa Saberes e Sabores da Colônia tem percorrido a Serra dos Tapes, tomando o estudo das práticas relacionadas à alimentação como forma de entender esses contextos rurais. A Serra dos Tapes é uma região situada ao sul do Rio Grande do Sul, delimitada por áreas que foram historicamente ocupadas por grupos indígenas, negros fugidos ou libertos da escravidão e camponeses com origem na imigração europeia, os colonos. No mapa apresentado abaixo, estão indicadas algumas das localidades em que se realizaram as inserções de pesquisa, nos municípios de Canguçu, Pelotas e São Lourenço do Sul.

Figura 1 – Algumas das localidades em que se realizaram as inserções de pesquisa da agenda Saberes e Sabores da Colônia.

Fonte: Laboratório de Estudos Agrários e Ambientais, 2013.

Esse estudo se desenvolve em um quadro em que podemos notar, por um lado, uma ansiedade urbana contemporânea em relação à alimentação e, por outro, a expressão, nas classificações da alimentação operadas por consumidores urbanos, de um rural valorado positivamente, idealizado, que ao demandar alimentos – mas também paisagens, costumes, festas, história, turismo –, interfere na conformação do rural vivenciado pelos que nele habitam. O trabalho conduz o olhar às práticas alimentares para mostrar diluições e redefinições de fronteiras, dentre outras aquelas entre campo e cidade. Nesse quadro, receitas herdadas, pratos tradicionais, produtos e ingredientes locais, espécies e variedades nativas, práticas da alimentação cotidianas ou rituais, utensílios e objetos que conformam a cultura material relacionada à produção e consumo de alimentos, mecanismos de sociabilidade em que se dá sua circulação e, ainda, espaços em que se realizam atos associados ao comer são percebidos enquanto elementos que compõem sistemas culinários, cuja diversidade é expressão de modos de vida e visões de mundo de grupos sociais específicos, marcando pertencimentos e distinções identitárias.

Entre as diversas iniciativas de pesquisa realizadas, no contexto das colônias Maciel e São Manoel, município de Pelotas, elegemos a cozinha como espaço privilegiado de observação para estudar práticas alimentares cotidianas de famílias rurais descendentes de imigrantes italianos. A inserção de pesquisa se deu pela cozinha da Comunidade Católica Sant’Ana, no preparo e realização de festas, seguindo para as cozinhas de algumas das famílias pertencentes a essa comunidade.

Na localidade, realizam-se diferentes tipos de festa. Há aquela preparada por e para os membros da comunidade, a Festa de Sant’Ana, comemoração religiosa. Nela a comida é elaborada a partir de produtos da colônia e de itens industrializados: os bolos de caixinha são preparados tendo a temperatura do forno medida com folhas de bananeira. Aí a tradição – reafirmando identidades – se faz presente, ainda que atualizada a partir de técnicas e ingredientes modernos[i]. E há a festa preparada pela comunidade para um público externo, a Festa do Dia do Vinho, quando a comida é elaborada a partir de produtos da colônia para um público urbano, ávido por consumir o vinho, a comida e, mais que tudo, por travar contato com o rural de seu ideário.

     

Da cozinha da comunidade conduzimos o olhar à cozinha das famílias, atentando para o cotidiano de trabalho, seus saberes e práticas alimentares. No contexto de mudanças advindas com a modernização da agricultura, observamos que assim como a lavoura passou por processo de transformação, com aquisição de máquinas, equipamentos e produtos químicos, também a cozinha sofreu alterações, o que é evidenciado pela aquisição de fornos elétricos, máquinas de preparar pão, liquidificadores, batedeiras, entre outros eletrodomésticos que hoje estão presentes. A intensificação na utilização de produtos industrializados está presente também nos ingredientes utilizados, conformando o que podemos considerar um “cardápio híbrido”, conformado por produtos da colônia e industrializados.

A polenta e o vinho, apresentados nas festas como símbolos da cultura italiana, também estão presentes na alimentação diária das famílias e são alimentos culturalmente valorizados. O vinho é comumente produzido para o consumo familiar, sendo que algumas famílias o produzem em maior escala, para comercialização. Mas vinho e polenta, símbolos da culinária italiana, estão à mesa das famílias de descendentes de imigrantes italianos e também de alemães e brasileiros, evidenciando que, nas localidades estudadas, a italianidade pode ser interpretada como elemento que constitui uma “identidade colona compartilhada”.

Entre outros temas que têm recebido atenção da equipe de pesquisa Saberes e Sabores da Colônia estão os panos de parede, encontrados na localidade de Nova Gonçalves, no município de Canguçu/RS, localidade de origem predominantemente pomerana. Os panos de parede, bordados por mulheres pomeranas, ficavam pendurados na parede das casas para enfeitar a sala ou a cozinha, atrás do fogão à lenha, sendo ainda usados no dia de festas de casamento, com dizer específico referente à data. Além de apresentar flores, ramos, animais ou os próprios utensílios de cozinha, muitos apresentavam escritos em alemão, que assim eram porque na época em que foram bordados não se tinha ainda o conhecimento da escrita pomerana. Atualmente, os panos de parede podem ser considerados patrimônio da localidade, presente na memória de sua gente. Mais recentemente, temos iniciado a estudar cadernos de receita, que trazem a alimentação como um saber fazer das mulheres camponesas.

    

                                                                                       "Os convidados já estão convidados para o assado de coelho e pato."

Este trabalho é conduzido a partir do Grupo de Estudos e Pesquisas em Alimentação e Cultura (GEPAC). Os artigos e vídeos produzidos podem ser acessados no site do GEPAC (https://www.ufrgs.br/gepac/) e ali também são encontradas informações sobre o livro produzido a partir destas iniciativas de pesquisa, Saberes e sabores da colônia: alimentação e cultura como abordagem para o estudo do rural.


Renata Menasche – Doutora em Antropologia Social, Professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPel e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da UFRGS

Carmen Janaina Machado – Mestre e Doutoranda em Desenvolvimento Rural pela UFRGS

Vania Grim Thies – Doutora em Educação, Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPel


[i] Assista ao vídeo Festa na colônia, festa de Sant’Ana, que mostra esta festa: https://vimeo.com/108127792



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Sexta-feira, 17 de Março de 2017

O [Comida na Tela] de hoje apresenta um documentário que trata de vinícolas, “Um Ano em Champagne”. A produção registra a rotina da região ao longo de 12 meses, dividida em quatro partes, fazendo alusão as estações do ano, mostrando a cadeia produtiva e a rotina de produtores, empresários e especialistas em vinhos, exclusivo da região francesa de Champagne.

A obra faz parte de uma trilogia que já percorreu a Borgonha e que ainda vai percorrer a região do Porto, em Portugal; e quem conduz o passeio é Martine Saunier, uma negociante de vinho.

O filme encanta pela bela fotografia, mas deixa um pouco a desejar no que tange os detalhes da produção do champanhe. No entanto, é impossível não ficar com água na boca e vontade de visitar esta região ao norte da França, que além de tudo tem muita história contadas por pessoas que viveram momentos de guerras e conquistas.



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 14 de Março de 2017

Impulsionados pela necessidade de uma produção alimentar mais inclusiva e alternativa ao modelo agroalimentar hegemônico vigente, cada vez mais estudos e projetos têm buscado compreender os fatores e potencialidades relacionados à produção de base familiar. A concentração fundiária  é majoritariamente centrada em latifúndios monocultores e produtores de commodities, mas no que diz respeito a produção de alimentos para consumo humano a nível global, os pequenos agricultores produzem mais de 70% de tudo o que consumimos.       

A publicação desenvolvida pela Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário é fruto de grupos de trabalho, oficinas e congressos e reuni a contribuição de um vasto grupo de especialistas e pesquisadores dos temas relacionados à agricultura familiar. Dividido em sete partes, a publicação aborda diferentes questões e traz um panorama da questão agrária e caracteriza os camponeses na atualidade, analisa as políticas públicas destinadas à agricultura familiar, e enumera os desafios e perspectivas para se avançar.     

As primeiras duas partes do documento discutem a estrutura agrária Brasileira que aprofundou no século XXI os processos de concentração de terras como resultante do modelo econômico do agronegócio, pavimentado na intensificação produtiva e mercantilização de insumos. Esse modelo hegemônico centrado na grande empresa e no capital, contribuiu em grande escala para a expulsão de povos e comunidades tradicionais , assim como jovens e famílias que ocupavam o espaço rural. A terceira parte, "Inovações Sociais: Experiências Contemporâneas", apresenta um conceito de desenvolvimento rural alternativo ao modelo hegemônico e mais inclusivo, incorporando as noções de agroecologia e soberania e segurança alimentar e nutricional.

Os capítulos subsequentes avaliam as políticas públicas que tem como alvo a agricultura familiar e trazem também as perspectivas futuras, levantando também os desafios e questões relativas aos movimentos e organizações sociais. A última parte também aborda as diferentes categorias e dimensões sociais do trabalho no campo, trazendo alguns exemplos como as mulheres agricultoras e comunidades.       

Acesse a publicação em nossa biblioteca.         




postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 07 de Março de 2017

A experiência de hoje foi realizada em São Leopoldo no estado do Rio Grande do Sul e foi conduzida pela parceria entre educadores da Escola Municipal e nutricionistas da Unidade Básica de Saúde e da alimentação escolar. A ação abordou de forma dinâmica a Cultura e Patrimônio Alimentar, que é o tem do mês aqui na Rede Ideias na Mesa.

A objetivo foi conduzir um trabalho de educação permanente ao longo do ano de 2016 inserido no Projeto Político Pedagógico da escola, trabalhando com os alunos a temática da Alimentação Saudável. A escola já tinha como um de seus eixos norteadores o fortalecimento dos vínculos afetivos entre docentes e alunos. Nesse cenário acolhedor, as nutricionistas utilizaram como ferramenta para realizar as atividades o Guia Alimentar para a População Brasileira.

As atividades foram pensadas em conjunto com o público alvo. Propondo por exemplo, rodas de conversa sobre o que significava a comida e o comer para eles, fomentando o resgate do conhecimento a partir de fragmentos da história familiar e de vida. Ao longo do ano, foram feitas as seguintes atividades: “Chuva de Comida”, com o objetivo de realizar um levantamento dos alimentos consumidos habitualmente pelos alunos; “Cada alimento no seu lugar”, com a finalidade de identificar o conhecimento dos alunos sobre a classificação dos alimentos; “Quebra-cabeça dos Dez Passos para uma Alimentação Adequada e Saudável” para apresentar o instrumento de mesmo nome constante no Guia Alimentar para a População Brasileira; “Quanto tem de fruta?” com o propósito de comparar a quantidade de fruta existente nos sucos naturais e industrializados, sensibilizando quanto à diferença dos alimentos in natura e os ultraprocessados.

 

Também foram trabalhados questões como “Patrimônio Cultural”, demonstrando que os alimentos e preparações culinárias são cultivados, produzidos e consumidos pautados na herança cultural, familiar e afetiva; “Ativando os sentidos”  para oportunizar a exploração dos sentidos tato, olfato e paladar com alimentos pouco conhecidos pelos alunos, mas pertencentes à cultura alimentar local/regional. Apresentar a origem de alguns alimentos in natura ou minimamente processados; “Revisitando o território: onde tu compra tua comida?”, com o intuito de identificar na realidade local as opções de alimentos comercializados e propor uma reflexão sobre a disponibilidade encontrada, além de possíveis alternativas para uma alimentação mais saudável. Confira outras atividades que foram conduzidas na experiência completa.   

Entre os resultados  observados, as aplicadores da experiência identificaram como uma dificuldade inicial os diferentes níveis de aprendizado dos participantes, assim como as diferentes histórias pessoais de cada um dos escolares. Foram também identificados pontos positivos do processo que se deram, dentre outras razões, pelo vínculo que foi criado entre os educadores e participantes, numa relação horizontal e de empatia mútua.   

Para conferir outras fotos e a experiência na íntegra, acesse o link.    


Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Vanessa Backes, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

O [Comida na Tela] de hoje apresenta um relato compartilhado no “TEDx Tucson Salon”, no qual a jornalista Megan Kimble conta sobre como foi excluir alimentos processados e ultraprocessados da sua alimentação e porque ela acredita que esse processo seja importante.

A jornalista inicia esse relato (e a própria experiência) problematizando o que são alimentos processados e ultraprocessados. Para entender melhor sobre o assunto e abordar o sistema alimentar, ela começa a visitar supermercados para descobrir como os alimentos chegam até eles e se questiona sobre questões relacionadas à justiça no trabalho e ao excesso de etapas para que o alimento saia do campo e chegue à mesa do consumidor. Para exemplificar esse processo ela cita as etapas que uma melancia produzida no México, passa para alimentar os moradores de Connecticut, passando por questões como justiça no trabalho e preço. Ela compara esse processo ao processo utilizado pelas “Comunidades que Sustentam a Agricultura”, que valorizam o produtor local e se baseiam nos princípios da sazonalidade para produção de alimentos de forma justa, adequada e saudável sem a utilização de pesticidas.

Além disso, ela problematiza a quantidade de açúcar adicionado em produtos ultraprocessados e a substituição por adoçantes. Ao se revelar amantes dos doces, ela conta como descobriu o que a indústria já sabe há décadas, que o açúcar causa certa dependência, levando as pessoas a querer consumir mais e mais açúcar. Quando substituído por adoçantes, a saciedade vem de forma ainda mais lenta, por isso devemos estar alertas ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados que contenham açúcar ou adoçantes na lista de ingredientes.

Para Megan, a escolha por uma alimentação saudável simplifica o dia a dia porque as pessoas não têm mais que se preocupar com a origem da comida, como ela é feita, quais os impactos a produção tem gerado, se vai fazer mal para o corpo, entre tantos outros. Quando se reduz o consumo dos ultraprocessados, você começa a reconhecer o alimento, a origem dele, você mesmo faz preparações e isso gera impacto positivo para si e para a sociedade.

 

Muitas pessoas questionam se ela se sente diferente, e ela responde dizendo “Eu me sinto satisfeita”.

Vale a pena conferir esse vídeo:



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

A capacidade da humanidade se alimentar no futuro está em perigo devido à intensificação da pressão sobre os recursos naturais, à crescente desigualdade e às consequências trazidas pelas mudanças climática, de acordo com um novo relatório da FAO, que é tema do [Biblioteca do Ideias] de hoje.

Apesar de termos alcançado progressos reais e significativos para a redução da fome no mundo, nos últimos 30 anos, "aumentar a produção de alimentos e crescer economicamente têm, muitas vezes, um custo muito alto para o meio ambiente", diz o relatório "O Futuro da Alimentação e Agricultura: Tendências e Desafios". 

"Quase metade das florestas que cobriam a Terra desapareceram. As fontes de água subterrânea estão sendo esgotadas rapidamente. A biodiversidade foi profundamente corroída", observa.

Até 2050 a população mundial deve atingir os 10 bilhões de pessoas. Em um cenário com crescimento econômico moderado, esse aumento da população aumentará a demanda global de produtos agrícolas em 50% em relação à atual demanda, intensificando as pressões sobre os já esgotados recursos naturais.

Ao mesmo tempo, mais pessoas estarão comendo menos cereais e mais carnes, frutas, legumes e alimentos processados - um resultado de uma transição alimentar global em curso que irá adicionar ainda mais pressão ao sistema alimentar, provocando mais desmatamento, degradação da terra e aumentando a emissão de gases causadores do efeito de estufa.

Juntamente com estas tendências, as mudanças climáticas vão adicionar obstáculos. 

O relatório dá esperança quando apresenta a possibiidade de acabarmos com a fome no mundo a partir de sistemas agrícolas e alimentares sustentáveis que satisfaçam as necessidades de uma população mundial crescente. Mas alerta sobre a importância de "grandes transformações" para que isso aconteça. 

"Sem esforços adicionais para promover o desenvolvimento em prol dos pobres, reduzir as desigualdades e proteger as pessoas vulneráveis, mais de 600 milhões de pessoas ainda estarão subnutridas em 2030", diz.

O relatório discute ainda que os sistemas agrícolas que usam insumos e recursos intensivos, que causam desmatamento, escassez de água, esgotamento do solo e altos níveis de emissões de gases de efeito estufa, não podem fornecer alimentos e produção agrícola sustentável, por isso devem ser substituídos por métodos sustentáveis. 

Ainda segundo o relatório as 15 tendências para o sistema alimentar são:

- Uma população mundial em rápida expansão marcada por "pontos quentes" de crescimento, urbanização e envelhecimento

- Diversas tendências no crescimento econômico, renda familiar, investimento agrícola e desigualdade econômica.

- Maior competição pelos recursos naturais

- Alterações Climáticas

- Poucas alterações relacionadas à produção agrícola

- Doenças transfronteiriças

- Aumento dos conflitos, crises e desastres naturais

- Persistência da pobreza, desigualdade e insegurança alimentar

- Transições alimentares que afetam a nutrição e a saúde

- Alterações estruturais nos sistemas econômicos e implicações no emprego

- Aumento da migração

- Mudança dos sistemas alimentares e consequentes impactos nos meios de subsistência dos agricultores

- Persistência de perdas de alimentos e desperdício

- Novos mecanismos de governança internacional para responder a questões de segurança alimentar e nutricional

- Mudanças no financiamento internacional para o desenvolvimento.

E os 10 desafios são:

- Adotar práticas agrícolas mais sustentáveis

- Garantir uma base sustentável de recursos naturais

- Abordagem das alterações climáticas e intensificação dos riscos naturais

- Erradicar a pobreza extrema e reduzir a desigualdade

- Eliminar a fome e todas as formas de desnutrição

- Tornar os sistemas alimentares mais eficientes, inclusivos e resilientes

- Melhorar as oportunidades de obtenção de rendimentos nas zonas rurais e abordar as causas profundas da migração

- Fortalecer a resistência para superar crises prolongadas, catástrofes e conflitos

- Prevenção das ameaças transfronteiras e emergentes da agricultura e do sistema alimentar

- Abordar a necessidade de uma governança nacional e internacional coerente e eficaz

O resumo desse relatório em espanhol pode ser acessado aqui e o completo em inglês está aqui.



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017

O [Você no Ideias] de hoje apresenta uma experiência realizada por uma equipe de residentes em Saúde da Família da Universidade Federal do Paraná, que problematizou a produção de alimentos com participantes de um Centro de Convivência, a partir dos conceitos de Soberania Alimentar e Segurança Alimentar e Nutricional. O objetivo dessa equipe foi estimular a proteção da cultura alimentar, criando ações que viabilizem a troca das sementes crioulas entre guardiões e guardiãs e identificando origens, saberes do cultivo e preparações culinárias.

O grupo de residentes aproveitou a horta do Centro e realizou dois encontros.

Para partilhar e construir conhecimento, o grupo de residentes formou uma “roda de conversa“, partindo-se do pressuposto que cada pessoa traz consigo conhecimentos que podem ser compartilhados, aprofundados e por fim aplicados com base nas suas demandas.

Em um primeiro momento, as participantes relataram experiências anteriores com o cultivo de alimentos, incluindo conhecimentos relacionados ao uso de agrotóxicos e possíveis malefícios, prevenção e controle natural de “pragas”, diversidades dos vegetais cultivados e a propagação de sementes. A fim de desconstruir a concepção benéfica sobre o uso dos agrotóxicos e possibilitar novas práticas e soluções nos seus cotidianos, foi entregue ao grupo um compilado de receitas caseiras de caldos com ingredientes naturais, como alho, pimenta e cinzas de lenha e carvão, para aplicar nas plantas e prevenir doenças.

Em vários relatos foi perceptível sentimentos e sensações que afloraram as lembranças, gerando um “saudosismo coletivo”, já que muitas pessoas afirmaram gostar da época que moravam em sítios, chácaras ou fazendas e, hoje, percebem que os alimentos plantados e colhidos por eles tinham excelente sabor.

O grupo lamentou a vinda para a cidade, que, na maioria dos casos, foi decorrente da compra da área daquela família por empresários e grandes fazendeiros.

O grupo de residentes percebeu o entusiasmo com a temática e propôs a realização de uma feira para troca de sementes crioulas e de mudas de plantas diversas.

A “Feira da mãe Terra para a troca de saberes, sementes e mudas” contou com as seguintes sementes levadas pelas participantes do Centro:

- fava olho de cabra preta,

- fava branca,

- camapu,

- quiabo,

- feijão guandu,

- melão São Caetano,

- café,

- abóbora moranga,

- endro.

Entre as mudas se observou: café, alecrim, citronela, arruda, cebola, coqueiro”.

A maioria das variedades citadas foi colhida pelas participantes em seu próprio quintal.

Muitas das sementes que foram trocadas e partilhadas na Feira foram levadas pelas residentes que conseguiram o máximo de variedades, fazendo contato com amigos, familiares e agricultores.

E ao fim dessas atividades é sempre gratificante perceber o feedback de participantes que percebem mais uma forma de autocuidado e de cuidar do mundo a sua volta. O grupo de residentes percebeu a importância de não limitarem suas ações na prática clínica com ações curativas, mas extrapolarem e começarem a promover saúde.  



Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Veridiane Sirota, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 



postado por Equipe Ideias na Mesa em Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2017


Proporcionar o abastecimento de alimentos orgânicos com processos e insumos sustentáveis, favorecer os circuitos curtos de comercialização e promover a segurança alimentar e nutricional são algumas das potencialidades da agricultura praticada dentro e nas redondezas das cidades.     

Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) é um conceito multidimensional que pode, em linhas gerais, ser definido como o plantio de alimentos e criação animal no perímetro das cidades. A AUP é considerada um elemento para o desenvolvimento sustentável dos centros urbanos. Apesar de ser uma prática milenar, a agricultura urbana vem se reposicionando dentro das metrópoles principalmente a partir de 1990, fruto da expansão da população urbana e do êxodo rural. O tema é pauta de organismos internacionais como a FAO que tem promovido o tema e documentado experiências em diversas regiões, já que alternativas para produção de alimentos saudáveis dentro de sistemas com resiliência ambiental são de extrema relevância uma vez que a população nas cidades não para de crescer assim como os agravos resultantes das mudanças climáticas.  

A AUP se relaciona de forma direta com pelo menos três dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Milênio, como os ODS 2 "Fome Zero e Agricultura Sustentável"; ODS 11 "Cidades e Comunidades Sustentáveis"; e ODS 13 "Ação Contra a Mudança Global do Clima, e dialoga de maneira transversal com as outras agendas. Ela pode dar uma importante contribuição para segurança alimentar e nutricional, especialmente em regiões de desertos alimentares. O processo produtivo  da AUP é predominantemente realizado de forma coletiva, empoderando os grupos envolvidos, proporciona o consumo de alimentos saudáveis e pode gerar renda a partir da comercialização de alimentos frescos e com um menor custo.

A transformação de Detroit

A AUP proporciona que as pessoas se sensibilizem de maneira prática e direta com questões ambientais, assim como também podem ser locais de expressão e aprendizagem associados à produção de alimentos.

 Muitas vezes geridos coletivamente, esses locais tornam-se novos espaços de cidadania. Um exemplo exitoso é o que tem acontecido em Detroit. A cidade que já foi uma das mais importantes dos EUA, por abrigar sedes e grande parte da produção das principais montadoras americanas, Chrysler, Ford e General Motors, viu sua “Era de Ouro” chegar ao fim com a crise de 2008. Houve um grande êxodo e, em pouco tempo, a cidade quebrou. Detroit virou uma cidade fantasma. Hoje a cidade conta com diversos projetos que buscam transforma-la em um lugar mais saudável, seguro e verde através de projetos de agricultura urbana para recuperação dos espaços.

O projeto de recuperação, por meio da agricultura, foi iniciado em 2012 por iniciativa da ONG Michigan Urban Farming Initiative (MUFI). O cultivo conta com mais de 8 mil voluntários e já produz o suficiente para atender gratuitamente mais de duas mil famílias que moram na região . O projeto abrange uma área de 30 mil metros quadrados. O complexo conta com mais de 200 árvores frutíferas, hortaliças e vegetais diversos, um jardim sensorial para as crianças e muito mais. Conforme o levantamento da organização, são mais de 300 variedades de vegetais. Desde o início do projeto, a colheita já rendeu mais de 22 mil quilos de alimentos, todos distribuídos gratuitamente à comunidade.

Experiências Brasileiras

Assim como em Detroit, existem diversas outras iniciativas ao redor do mundo, inclusive no Brasil, que mudaram a realidade de comunidades através da agricultura urbana. O documentário "Saindo da Caixinha" mostra iniciativas de AUP na cidade de São Paulo e como a experiência transformou a saúde de indivíduos além de tornar os ambientes urbanos mais verdes e saudáveis. Outra iniciativa é a "Revolução dos Baldinhos" na cidade de Florianópolis que faz a gestão comunitária de resíduos orgânicos sincronizada à prática da AUP, significando uma diminuição da produção do que antes era tido como "lixo" nas cidades e gerando adubo de alta qualidade com inclusão social.

A partir de exemplos como estes, a AUP tem sido incentivada pelos benefícios que tem trazido como: promoção  da soberania alimentar; incentivo ao comércio e distribuição de alimentos e agricultores locais; criação de emprego e geração de renda; redução dos impactos ambientais; e participação social e empoderamento. Os desafios são otimizar cada vez mais a utilização dos insumos, como água por exemplo, e associar a prática da AUP com outras técnicas para conservação e geração de sistemas sustentáveis e integrados garantindo mais equidade e responsabilidade ambiental nas cidades. 

Você conhece ou participa de alguma experiência de agricultura urbana ? Conta para nós na página do FB do Ideias na Mesa !





postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

O post da biblioteca de hoje divulga um livro disponível gratuitamente na base de dados do Scielo. Este livro reúne estudos sobre Alimentação e Cultura e prioriza escritas e narrativas sobre o comer em distintos grupos e lugares. Fundamenta-se nas Ciências Humanas para diversas leituras sobre o comer e, assim, busca compreender a nutrição como ação social. E para conhecer o universo simbólico das relações entre cultura e alimentação, estudam-se os hábitos, condutas, comportamentos alimentares, valores e crenças.

Em seu primeiro capítulo, o livro trata da “Alimentação e as principais transformações no século XX”. Assim, o livro apresenta o atual contexto alimentar no Brasil e como foi a transição de uma alimentação rica em fibras e carboidratos complexos para uma alimentação com alto consumo de gordura saturada, açúcar e alimentos refinados. Essas mudanças também se refletiram em aspectos corporais como, por exemplo, a redução dos índices de baixo peso e o aumento dos casos de sobrepeso.

No Brasil, a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) permitiu caracterizar a evolução do padrão alimentar da população urbana brasileira. Os resultados da POF apontam para uma redução no consumo calórico per capita de aproximadamente 208 Kcal. Como a POF quantifica os gastos com alimentos no domicílio, é possível que esta redução seja justificada pela crescente tendência de se realizar refeições fora do domicílio. Esses e diversos outros dados apresentados pelo livro nos levam a conclusão de que de fato, o Brasil segue a tendência mundial no consumo de carboidratos e vive um declínio na participação do grupo dos cereais e derivados, das leguminosas, raízes e tubérculos, verduras e legumes, frutas e sucos naturais.

Depois de apresentar o atual contexto alimentar do Brasil, as autoras reúnem a exposição de  práticas e contextos alimentares. Assim, o primeiro artigo apresentado trata das populações tradicionais que vivem do mar e do mangue. Nesse estudo, são acrescentadas questões do cotidiano alimentar de uma população de pescadores remanescente de quilombo na região do município de Salvador: a Ilha de Maré, com uma abordagem qualitativa. Trata-se de um dos recantos mais belos do litoral baiano.

“A infra-estrutura local, entretanto, é deficitária. O acesso à Ilha é difícil e não há um sistema de transporte interno. Por isso, o deslocamento para os povoados é sempre difícil, sendo geralmente feito a pé. Da mesma maneira, as travessias Maré-Salvador-Maré são realizadas de forma precária, devido à inexistência de transporte público; para as viagens diárias são utilizados pequenos barcos a motor de proprietários locais.”

“No momento, as redes elétrica e telefônica atingem toda Ilha, e o abastecimento de água, 90% dos povoados, entretanto, não há saneamento básico, nem outros serviços de saúde, cartório e policiamento. Cenas de violência têm sido comuns, principalmente nos finais de semana, quando o consumo de bebida alcoólica dos visitantes é excessivo.”

“A ausência de políticas públicas, aliada ao contexto de pobreza e baixa escolaridade, cria uma situação de grave insegurança alimentar e nutricional que fere princípios fundamentais dos direitos humanos à sobrevivência. Conforme nosso registro, a população de Ilha de Maré apresenta como a mais importante atividade remunerada a pesca artesanal e a captura de mariscos, sendo poucos os que se deslocam para o trabalho fora.”

E é nesse contexto de insegurança alimentar que as autoras discutem com a cultura alimentar pode ser utilizada para ultrapassar os desafios impostos na realidade local que tem levado à fome à desnutrição.

Nesse sentido, os capítulos seguintes vão apresentar realidades locais e a importância da cultura alimentar. A expectativa dessa coletânea de produções científicas é de que os conteúdos sobre a alimentação em interface com as Ciências Humanas sirvam para lançar um outro olhar sobre o modelo biomédico e possa desse modo, ampliar os conhecimentos da nutrição, na perspectiva de humanizar práticas profissionais que tratam das condutas alimentares.

Confira o livro completo aqui.



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017

O [Pensando EAN] relembra uma discussão do Hangout do Ideias na Mesa sobre como considerar e incorporar a dimensão cultural na educação alimentar e nutricional. A discussão foi moderada por Luiza Torquato, e contou com a participação de:

- Denise Oliveira, nutricionista que trabalha com antropologia da alimentação;

- Luana Oliveira, nutricionista na prefeitura municipal de Belo Horizonte, integrante de uma equipe multidisciplinar da Secretaria Municipal de Segurança de Alimentar e Nutricional;

 - Luciana, dentista e gestora municipal de SAN do município de Itanhaém, São Paulo.  (“um dos meus grandes inimigos era o açúcar”);

- Renata Menasi, antropóloga, professora na universidade federal de Pelotas, na pós-graduação, e sou professora na pós-graduação em desenvolvimentos na URGS.

A alimentação, com suas particularidades regionais, é uma das expressões do processo histórico e do intercâmbio cultural entre diferentes povos de uma nação. Por isso deve-se respeitar e valorizar as diferentes expressões, além de incorporá-las às ações de EAN. Esse é um dos princípios do Marco de Referência de EAN para Políticas Públicas:

“Valorizar a cultura alimentar local e respeitar a diversidade de opiniões e perspectivas, considerando a legitimidade dos saberes de diferentes naturezas”.


Mas o que percebemos no Brasil e em todo o mundo, é o processo de globalização da alimentação, levando à homogeneização dos hábitos alimentares e favorecendo o aumento de consumo de produtos industrializados, com altos teores de açúcar, sódio, gordura, aditivos etc. Assim surge o desafio de desenvolver estratégias de EAN que resgatem os aspectos culturais da alimentação local e de promover a alimentação saudável da população.

Mas para a antropóloga Renata, o que acontece é que essa homogeneização dos hábitos alimentares é apenas uma impressão, não uma verdade absoluta. As culturas locais tem muita força e vigor, e está presente com toda sua diversidade em todos os cantos. É importante mantermos nossos olhos abertos para isso, porque dá base, por um lado para contrapor o processo de padronização, de tentativa de uma comida que perca sua identidade e passa a ser apenas nutriente; e por outro, para pensar estratégias e políticas de grande alcance.

 

                      

 

Para Renata, também não é possível fazer uma "globalização do bem", com bons hábitos alimentares e com boas práticas nutricionais, pois temos que nos atentar para o que é local e característico das culturas. As ações de EAN não serão eficientes se não dialogarem com a essência das pessoas, com o que elas são e com o que elas acreditam. Então é importante que ao pensar em alimentação saudável, se questione sobre o que é saudável para aquele grupo, e o que é comida de verdade. Assim as pessoas constroem parâmetros, classificam a comida, pensam e vivem a partir daquilo que consideram importante pra sua identidade e sua cultura alimentar.

Para Denise esse resgate não é um processo individual, mas coletivo, e a cultura, por excelência, tem esse caráter. Como pesquisadora, ela percebe que quando se fala de alimentação saudável, ainda existe um forte enfoque biológico e as pessoas não pensam nem agem assim. Nem nutricionistas, que têm uma experiência acadêmica com forte componente erudito sobre a fisiologia e aspectos sobre o corpo de pensar se aquele prato é adequado do ponto de vista calórico e de vitamina e minerais, quando estão diante de um prato. As pessoas comem a simbologia dos alimentos, e a para realizar ações de EAN deve-se levar em consideração essa bagagem.

A cultura é ressignificada o tempo inteiro pela visão que os seres humanos têm sobre a própria vida. Nesse sentido a EAN não deve buscar a resposta naquilo que se constrói no dia a dia, no cotidiano. As ações devem fomentar o diálogo constante, devem valorizar o aprendizado e a multi etnicidade brasileira. O consumo alimentar deve priorizar as culturas que formaram a sociedade brasileira, o hábito de comer cuscuz e tapioca, por exemplo, tem origem indígena e isso deve ser introduzido nas ações de EAN por meio da construção do conceito sobre o que é comida.  

E no Brasil é realmente um grande desafio considerar a cultura nas ações de EAN, tendo em vista a enorme diversidade que encontramos em um município. Luciana traz o exemplo de que no mesmo município podem ser encontradas a etnia guarani, a etnia tupi guarani, populações ribeirinhas, os caiçara etc. E os hábitos tradicionais tem se perdido, nesse sentido as políticas de SAN cumprem um papel importantíssimo de resgate e valorização de alimentos tradicionais.

Segundo Paulo Freire, o resgate não é feito de forma individual, mas em comunhão e isso é importante ao pensar EAN. Denise relembra a contribuição de diversos grupos para a construção da sociedade brasileira como os indígenas e os negros, força de trabalho no país, e como as mulheres negras estiveram presentes na cozinha construindo uma identidade alimentar. Assim, é importante que a EAN não se exile, mas sim produza atividades dinâmicas, participativas, inclusivas, mutáveis e abertas.

Assim, pensar EAN é de fato um desafio já que deve levar em consideração todas as características do hábito alimentar, sejam elas coletivas ou individuais. 

Trazendo esses conceitos para a prática, existem diversas experiências de EAN incríveis que, aliadas à valorização dos hábitos alimentares tradicionais, tiveram sucesso na promoção da saúde de algumas comunidades, uma delas é a experiência realizada pela Luciana, no Banco de Alimentos em Itanhaém, que resultou na produção de um livro de receitas que exemplifica a diversidade cultural e regional e que resgata a culinária caiçara. Esse trabalho se tornou viável graças ao SISAN e às políticas de SAN que incentivavam a agricultura familiar.

Para encerrar o debate, Denise ressalta a importância do cuidado em não se fazer julgamentos sobre as escolhas pessoais. O processo de consumidor/comensal é complexo e tem um grande componente de crescimento a partir da revolução industrial, isso mudou gestão de tempo das famílias e falar de educação é sim falar de tempo, uma temática complexa e custosa, principalmente para as mulheres.

Se pesquisadores estão abertos à discussão para incorporar a cultura às ações de EAN, é importante que esse resgate seja feito de forma humana e respeitosa. Claro que os caminhos não estão dados, mas cabe a nós trabalharmos para que ele esteja em constante construção.

A discussão sobre como associar a cultura alimentar às ações de EAN foi muito rica, para ter acesso à discussão completa acesse aqui.



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