Ideias na Mesa - Blog


Posts Relacionados com a(tag):alimentação

postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Quarta-feira, 04 de Novembro de 2015

 

O [Biblioteca do Ideias] de hoje retratará um povo extremamente importante para a conjuntura sócio-cultural-econômica do Brasil: os povos e comunidades tradicionais de terreiro.

Desde 2007, quando foi instituído pelo Governo Federal o Decreto nº 6040, esses grupos passaram a ser definidos como povos culturalmente diferenciados, com sua própria forma de organização e viver social. Os terreiros, em sua grande maioria, localizam-se em áreas de vulnerabilidade social, mas também configuram e apresentam espaços de prática das religiões de matriz africana, movimento que não se caracteriza apenas como um culto, porém igualmente como instrumento de preservação de tradições e luta contra a desigualdade social, idealizando-se a valorização destas práticas.

Logo, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) vem realizando pesquisas de segurança alimentar e nutricional nestas comunidades, que até então eram pouco estudadas e são ainda hoje vítimas e marginalizadas pelo preconceito.

Assim, o presente estudo: “Alimento: Direito Sagrado – Pesquisa Socioeconômica e Cultural de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros”, publicado em 2010, buscou retratar as atuais e reais condições, exigências e demandas das casas de religião de matriz africana e afro-indígena, além de suas importantes contribuições e legados para as políticas públicas em segurança alimentar e nutricional, uma vez que muitos dos seus cultos possuem como centralidade a comida e seu valor altamente simbólico.

Além disso, a publicação conta com várias fotos que retratam de forma bela e diversa como essas importantes comunidades se expressam e se organizam. Confira algumas dessas imagens logo abaixo:

 

 

 

 

 

 

 

Para saber mais e ler esta excelente publicação na íntegra, acesse o arquivo na nossa Biblioteca, no link: http://goo.gl/JiUEAb



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 03 de Novembro de 2015

Durante essa semana (03 ao 06/11) estará acontecendo a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em Brasília.

Portanto abordaremos hoje no [Pensando EAN] o tema da 5ª Conferência: Comida de verdade no campo e na cidade, com uma entrevista dada pela presidente do Consea Nacional, Maria Emília Lisboa Pacheco ao programa Entrevista do canal Futura.

Na entrevista a antropóloga defende a agricultura familiar e seu papel como principal fonte de abastecimento de alimentos à mesa das/os brasileiras/os, por sua produção sustentável, que preserva a biodiversidade e pelo cuidado com a saúde humana.

Além disso, Maria Emília ressalta o papel da agroecologia como um sistema capaz de alimentar as 7 bilhões de pessoas do planeta de forma saudável e sem agrotóxicos, em oposição ao modelo convencional atuante.

“A agroecologia significa também a valorização das sementes tracionais” e também que a “agroecologia significa o manejo sustentável dos recursos naturais, ter uma relação mais harmoniosa com a natureza, mas também, tem uma dimensão social, econômica e política”.

Em contraposição ao modelo do agronegócio, que tem aumentado o consumo de agrotóxicos por parte da população brasileira e pelo avanço das monoculturas, Maria Emília defende políticas eficazes na garantia ao direito a uma alimentação saudável e adequada no Brasil:

“No Brasil nós não temos política suficientes ainda que garantam que nós tenhamos uma alimentação adequada e de qualidade para o consumo da população”.

Porém, avalia de forma positiva a implantação do Programa Aquisição de Alimentos (PAA), mas também, pontua a necessidade das normas sanitárias serem menos severas quanto à produção da agricultura familiar e assim prover #comida de verdade à mesa da população brasileira.

A presidente do Consea, ainda reflete sobre a defesa dos circuitos curtos dos alimentos:

“Precisamos evitar o passeio dos alimentos”, “o alimento as vezes percorre milhares de quilômetros” e, portanto, “precisamos descentralizar o sistema de distribuição e abastecimento alimentar no Brasil”.

E faremos isso, segundo ela: “apoiando feiras, principalmente as agroecológicas, isso se faz apoiando os sistemas de rede da economia solidária”, por fim ela pontua:

“Com isso reduzimos o gasto de energia, vamos permitir uma maior aproximação entre quem produz e quem consome e vamos assegurar uma maior diversificação dos alimentos em respeito ao tempo de safra dos alimentos”.

Fique mais por dentro do tema assistindo a entrevista logo abaixo:  



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Quinta-feira, 29 de Outubro de 2015

Você já parou pra pensar o quanto de lixo é produzido na sua casa todos os dias? Restos de cascas, sementes, alimentos que deterioraram, venceram... A lista é infinita! Agora você já parou pra pensar o quanto um restaurante produz de lixo por dia? E afinal de contas? Para onde vai esse lixo?

Foi pensando nessa questão que a jornalista Fernanda Danelon criou o Instituto Guandu, instituição que recolhe resíduos orgânicos de 10 grandes restaurantes da cidade de São Paulo. Desde o ano passado, ela coleta até 10 toneladas diárias de lixo desses estabelecimentos, reduzindo o impacto ambiental e propagando a ideia de que “O Lixo que criamos é problema NOSSO! ”. A instituição, por meio de métodos de compostagem acelerada, devolve toda esta iniciativa em forma de adubo orgânico, utilizado na construção de hortas urbanas. Não só isso, como também há a promoção de palestras e oficinas para os funcionários dos restaurantes sobre desenvolvimento sustentável.

O projeto é extremamente importante pois além da diminuição da degradação do meio ambiente, possibilita a inclusão dos indivíduos em adquirir alimentos saudáveis num espaço público, sem distinção de classe e gênero, propiciando autonomia e facilitando o acesso para toda a população.

Que tal juntar algumas pessoas da sua comunidade para realizarem uma iniciativa como esta? Mãos à obra!

Confira também algumas fotos da iniciativa da Instituição Guandu:

 

 

 

 

 

 

Outra iniciativa que utiliza a compostagem para reduzir o impacto ambiental causado pela má destinação dos resíduos orgânicos tanto a nível domiciliar quanto empresarial é o Movimento Composta São Paulo. O movimento se iniciou a partir da compostagem feita em caixas contendo húmus e minhocas que transformam os resíduos em adubo de alta qualidade. A iniciativa se expandiu e planeja-se utilizar esta técnica como política pública para destinação de resíduos orgânicos.       

 

 

 Confira mais sobre o Movimento. 

 



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Terça-feira, 27 de Outubro de 2015

Deve-se ter em mente que os seres humanos não se alimentam somente pelo fator biológico da fome e necessidade de nutrientes. A alimentação passa por um processo de construção cultural, sendo consumida, valorizada e transformada. Sua simbologia é extremamente forte, imprimindo crenças e valores, organizando-se como função estruturante da convivência humana.

O [Pensando EAN] de hoje traz um texto inspirado no livro “Adentrando o espaço social alimentar”: sociologias da alimentação, de Jean-Pierre Poulain, com publicação em 2013.

No primeiro capítulo, têm-se reflexões a respeito do contexto da alimentação no panorama da globalização, onde ocorrem fenômenos como a internacionalização da comida, produção de alimentos em abundância a partir do desenvolvimento do agronegócio e padronização da comida por advento das transnacionais. Apesar disto, há o fortalecimento de movimentos populares e regionais que utilizam a gastronomia como campo de sobrevivência e resistência cultural a estes eventos.Movimentos que lutam pela ressignificação de determinados alimentos e pela patrimonialização de práticas gastronômicas locais tornando-se mais articulados e atuantes.

“A ideia de que habilidades, técnicas, produtos possam ser objetos passíveis de ser protegidos, conservados, supõe o sentimento de seu desaparecimento próximo, pelo menos o medo de seu desaparecimento. A patrimonialização do alimentar e do gastronômico emerge num contexto de transformação das práticas alimentares vividas no modo da degradação e mais amplamente no do risco da perda da identidade. A história da alimentação mostrou que cada vez que identidades locais são postas em perigo, a cozinha e as maneiras à mesa são os lugares privilegiados de resistência.”



No segundo capítulo, o autor evidencia que a industrialização resulta na quebra do vínculo entre a natureza e o alimento, com diminuição de relações como a preparação do alimento e o “sentar-se à mesa”.

 “A mudança da valorização social das atividades domésticas leva as indústrias agroalimentícias a se desenvolver no espaço de autoprodução que representava a cozinha familiar. Propondo produtos cada vez mais perto do estado de consumo, a indústria ataca a função socializadora da cozinha, sem, no entanto, chegar a assumi-la. Assim, o alimento é visto pelo consumidor como “sem identidade”, “sem qualidade simbólica”, como “anônimo”, “sem alma”, “saído de um local industrializado não identificado”, numa palavra, dessocializado.”



 Jean- Pierre discute vários outros temas de extrema importância crítico-reflexiva, como a relação entre a obesidade e a medicalização da nutrição, interpretações a respeitos das mutações da alimentação contemporânea, o papel dos consumidores e sua posição no mercado e na alimentação, dentre outros. O autor evidencia também, em relação à sociologia, que a alimentação não se tornou ainda um campo de estudo propriamente dito, e que necessita de investimento.

A obra assim, possibilita ao leitor uma visão sociológica, simbólica e significativa do que é o ato de comer. Vale a pena a leitura!

Para ler o artigo na íntegra. Acesse:http://goo.gl/hDehXS



postado por Rafael Rioja Arantes em Segunda-feira, 26 de Outubro de 2015

No quadro de hoje compartilhamos a experiência realizada na cidade de Belo Horizonte com profissionais da saúde, trabalhadores e professores. A atividade consistiu em uma palestra baseada nos 10 Passos para uma alimentação saudável preconizada no Guia Alimentar para população brasileira.

Inicialmente, foi feita uma atividade de quebra gelo para que os participantes se entrosassem. Um dos presentes foi aleatoriamente escolhido, vendado e a ele foram oferecidas frutas picadas e inteiras para que ele sentisse o cheiro, gosto e formato. O resultado foi que todos os participantes ficaram mais à vontade e já foi possível pegar um elemento para discussão, pois o voluntário não reconheceu duas das frutas oferecidas.

Ao ser questionado ele contou que não tem o hábito de comer frutas, mas ao provar não manifestou rejeição, evidenciando que aquele momento trouxe a reflexão para que ele passa a provar alimentos.

Após o momento inicial uma palestra baseada nos 10 passos foi ministrada. Alguns temas foram abordados, como a grande quantidade de produtos ultraprocessados consumida pela população de uma forma geral nos dias de hoje, o que acarreta prejuízos para à saúde. Neste momento também foram sugeridas trocas mais saudáveis como por exemplo deixar de consumir refrigerantes para consumir sucos naturais. O enfoque foi na conscientização dos indivíduos para que eles façam escolhas mais saudáveis no seu dia a dia a partir de informações.

Nas considerações observadas pelos palestrantes, observou-se uma alta adesão dos participantes as dinâmicas inicias. Além disto, ficou constatada a importância de noções básicas de alimentação saudável para que os participantes tenham hábitos mais saudáveis. Tal constatação foi obtida através do feedback dos próprios participantes ao final da experiência.

Acesse a experiência na íntegra.


Você no Ideias na Mesa!     

Em 2015 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Clezia Almeida, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 

 



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015

 

 

As transformações políticas, econômicas e sociais que participaram na construção do nosso modelo de sociedade atual resultaram em um problema constituído como epidemia global: a obesidade infantil. Resultado de inúmeros fatores decorrentes destas transformações, essa pandemia implica em inúmeros problemas de saúde que somente adultos costumavam apresentar, como câncer, diabetes e problemas cardiovasculares.

No Brasil, uma em cada três crianças brasileiras entre 5 e 9 anos estão com o peso acima do recomendado pelos padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), 56% das crianças menores de 1 ano tomam refrigerante. Crianças com sobrepeso aumentam o consumo de fast food quando expostas à publicidade em 134%. Todos estes dados alarmantes, contabilizam em números a nossa realidade.

O [Comida na Tela] de hoje traz um documentário de produção britânica que mostra o cotidiano de 3 famílias distintas, porém com o mesmo problema: o alto consumo de alimentos ultraprocessados e de fast food por seus filhos.

Percebe-se ao longo do filme, que as 3 partilham dos mesmos obstáculos, como o vício em junk food, a dificuldade em instigar a curiosidade das crianças em consumir alimentos saudáveis, e o não hábito de cozinhar com a troca da enganosa “praticidade e facilidade” do fast food. Assim, com a ajuda de especialistas, as famílias tentam realizar uma mudança de hábitos através de processos de conscientização.

 

 

 Um dos pontos chaves que o documentário traz é o ato de cozinhar que sofreu uma considerável diminuição de sua importância, com o bombardeamento de alimentos industrializados pelo lobby empresarial, por exemplo. Porém, essa prática precisa ser urgentemente resgatada. Cozinhar é uma forma de emancipação e autonomia por parte dos indivíduos. É elemento aglutinador e de aproximação entre as pessoas. No filme, as mães queixavam-se que não cozinhavam pois não tinham tempo, precisavam realizar outras atividades, além de que “ causava grande bagunça por conta da louça e sujeira”. Porém, deve-se ter em mente que as mulheres não podem ser única e exclusivamente responsáveis pela alimentação do grupo. Todos precisam participar deste processo, que resulta em benefícios e resultados bastante positivos, como não só a melhora de hábitos, mas como o resgate e preservação de nosso patrimônio tão essencial: a cultura alimentar.

Vale a pena conferir este documentário e refletir!

 

 

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 20 de Outubro de 2015

Temos hoje no [Você no Ideias] uma experiência realizada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal nas escolas e creches da cidade.

A iniciativa foi chamada e “O que tem na sopa? ” e teve base em atividades lúdicas e artísticas para despertar o interesse das crianças sobre a alimentação saudável  e o consumo  destes alimentos no ambiente escolar.

Inicialmente na ação foi apresentada uma palestra sobre os alimentos que iriam compor a sopa de legumes e a salada de frutas após toda a atividade de EAN. Além disso as crianças puderam ter contato direto com os alimentos, despertando o lado sensorial, principalmente do tato e visão.

 

Como parte da iniciativa foi pedido às crianças um desenho dos alimentos que tiveram o contato antecipadamente, despertando outras sensações e conhecimentos nelas.


 

Foi frisado também a importância do não desperdício dos alimentos durante toda a ação.

Confira essa incrível experiência de EAN aqui.


Você no Ideias na Mesa!      

Em 2015 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Maria Alvim, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

Alimentação também é cultura!

E no Dia Mundial da Alimentação, que comemoramos no dia de hoje, o [Comida na Tela] traz o documentário: "Engenhos de Cultura - Teias Agroecológicas" que ilustra bem aquela frase inicial.

O documentário foi realizado pelo Ponto de Cultura Engenhos de Farinha/CEPAGRO em conjunto com os movimentos Cultura Viva, Rede Ecovida de Agroecologia e o Sloow Food.

Por meio depoimentos de e com o objetivo de dar voz às agricultoras e agricultores familiares, o filme mostra suas visões e saberes sobre a agricultura, além do resgate sobre a cultura de engenhos que predominava na região do litoral do estado de Santa Catarina.

 

Esses engenhos eram e ainda são considerados importantes espaços de encontros e festas que permeiam a cultura alimentar dessas populações, que, entretanto, sofreram perdas significativas de valor ao longo dos anos, por conta da legislação sanitária que vigora nos dias de hoje.

A cultura dos engenhos agrega significado cultural e é de fundamental importância para a promoção da agroecologia, alimentação saudável e para a valorização do patrimônio alimentar da região.

 

Como foco do documentário, a mandioca permeia o complexo cultural e de patrimônio das ações de resgate e fortalecimento dos engenhos, visto seu potencial como um alimento que exerce um importante papel na questão da segurança alimentar e nutricional e no direito humano a alimentação saudável e adequada.

Confira o documentário completo logo abaixo:

doc ENGENHOS DA CULTURA • Teias Agroecológicas from VAGALUZES FILMES on Vimeo.



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Terça-feira, 13 de Outubro de 2015

O [Pensando EAN] de hoje traz uma reflexão importante não só à prática profissional do nutricionista e de outras áreas da saúde em geral, mas de toda a sociedade, que atualmente, vive um momento de inúmeras dúvidas e anseios a respeito da alimentação.

Escrito por Elaine de Azevedo, e publicado em 2015, “ Liberem a dieta” é um artigo extremamente crítico reflexivo que questiona determinados ideais que a comunidade científica estabelece na população, com a supervalorização de nutrientes em detrimento de alimentos, além de uma imposição de modelo baseado na restrição e na individualização. Muitas vezes, valores que são extremamente importantes na construção de um hábito alimentar, como cultura e história, memória afetiva, territorialidade, sociabilidade, dentre outros, são esquecidos ou não recebem a devida atenção.

“A ciência da Nutrição, influenciada pela perspectiva da reflexividade, abriga incontável número de restrições e práticas alimentares que contribuem significativamente para o campo das controvérsias cientificas. É quase impossível acompanhar a velocidade de surgimento de tais práticas – muitas delas de caráter dietoterápico, restritivo e reducionista – frequentemente desconectadas da dimensão socioambiental e cultural que transpassa o conceito contemporâneo de alimentação saudável. Essa visão, que influencia fortemente a área clínica da ciência alimentar, supervaloriza os nutrientes em detrimento dos alimentos, fomenta a ideia de uma alimentação individualizada e biologicista, desprovida de valores ambientais, culturais, políticos e sociais.”

A autora reforça ainda que essa proibição exacerbada desprovida de prazer e tradições sociais, demoniza alimentos que estão enraizados culturalmente em um povo, podendo gerar angústias, preocupações e reflexões um tanto quanto desnecessárias.

“A ideia de expor analiticamente as partes nutricionais e prejudiciais do alimento expressa uma perspectiva racionalista e pessimista que não cabe na ideia de uma refeição aprazível, significativa e compartilhada. ”

Além disso, ela reflete que muitas proibições e repressões que atualmente fazem parte constante da mídia como o glúten, a lactose e o ovo parecem causar muito mais furor nutricional e impacto do que outros temas importantes, como agrotóxicos, conservantes, estabilizantes e inúmeros aditivos químicos e sintéticos utilizados para baratear custos e aumentar a vida de prateleira dos produtos.

Não só isso, mas como muitas vezes, essas censuras possuem uma origem econômica e de mercado por trás.

“Em terras tupiniquins, na década de 1960, aconteceu a talvez mais peculiar demonização de um alimento – o leite materno. Com o suporte de estudos científicos apoiados pela indústria alimentar e pela agricultura moderna baseada na extensiva monocultura de grãos – base da ração que promovia o aumento da produção de leite bovino – pediatras passaram a recomendar a substituição do leite “fraco” das mamíferas humanas pelo leite desidratado e maternizado. Esse descuido científico foi rapidamente retificado quando o pó passou a ser misturado com água de baixa qualidade e os bebês adoeciam por causa de diarreia e por falta das imunoglobulinas, protetoras da imunidade infantil. Reverteu-se a situação entre os especialistas, mas até hoje o país investe em campanha de aleitamento materno para sensibilizar mamíferas pretensamente esclarecidas que o seu leite é o melhor para seu filho.”

Elaine de Azevedo conclui o texto ressaltando a importância de se repensar no conceito de alimentação saudável. Deve-se também atentar a uma exagerada culpa e temor do comer, que inclusive, podem levar a maiores distúrbios como anorexia e bulimia. Não só isso, como aspectos culturais, sociais, ambientais e históricos devem ser levados em conta.

“Na busca de uma dieta individualizada e especifica para suas necessidades, os seres humanos comem só à mesa e evitam relações sociais com aqueles que não compartilham suas crenças alimentares. Além de estimular a culpa e o medo de comer, esse tipo de ortorexia contribui para a desagregação social e fomenta a intolerância. Alimentos tradicionais e verdadeiramente naturais vêm sendo demonizados sob premissas científicas especulativas, reducionistas e descontextualizadas sem que se questionem os elementos culturais, a origem, a qualidade, as mudanças que sofreram e seu desequilíbrio quantitativo na dieta. As próprias vítimas do sistema agroalimentar são culpabilizadas e promove-se o desequilíbrio ambiental e a exclusão social de agricultores familiares que produzem comida e alimentos tradicionais.”

O diálogo precisa ainda atingir profissionais da saúde, além de outros agentes que participam ativamente na construção e identidade cultural.

“ Isso porque todas as ciências da saúde hoje lidam prioritariamente com a patogênese e com as enfermidades. São essenciais numa sociedade cada vez mais doente, mas é tempo de repensar que para promover alimentação saudável é preciso compartilhar a construção das dietas saudáveis, da salutogênese e da promoção de saúde com agricultores familiares, com povos e comunidades tradicionais, com agricultores ecológicos, com ambientalistas, com cientistas sociais, geógrafos e historiadores, com chefs e cozinheiros e todos aqueles que ainda se propõem a manter algum tipo de vínculo com o conhecimento tradicional, com a comida afetiva e com a ideia de compartilhar alimentos saudáveis do ponto de vista socioambiental.”

Para saber mais, veja o texto na íntegra: http://goo.gl/Rp9Dha



postado por Equipe Ideias na Mesa em Segunda-feira, 12 de Outubro de 2015

Outubro é o mês para comemorar as crianças e a alimentação, a rede Ideias na Mesa lança um caderno de colorir que une o lúdico à comida e aborda diferentes contextos da alimentação brasileira.

Nosso caderno de colorir  é um convite para aqueles que amam comida e acreditam que um sistema alimentar sustentável é possível e urgente!

São 12 imagens com as quais você pode presentear uma pessoa querida, decorar um ambiente da casa ou do trabalho, e, ainda mais, usar  nas suas atividades de Educação Alimentar e Nutricional!

ideias para colorir

Lançado apenas na versão digital, o caderno pode ser impresso na íntegra, ou apenas a imagem em que se deseja colorir. Em algumas das ilustrações há espaços em branco para desenhar e dar aquele toque especial.

Como o próprio nome da publicação diz: são várias “ideias para colorir à mesa”!

Por isso, sente-se e desfrute desse momento compartilhando deliciosas refeições e ilustrações inspiradas.

Aguce ainda mais sua criatividade e faça sua própria ilustração sobre o que é comida de verdade, ficaremos felizes em recebê-la e divulga-la!

E se apenas colorir te bastar, tire uma foto da sua obra e poste no instagram com a hashtag #ideiasparacolorir.

Esta é mais uma iniciativa da rede Ideias na Mesa para você!

 

Serviço

Publicação: Ideias para colorir à mesa

Número de páginas: 15

Edição: Rede Ideias na Mesa

Disponível na biblioteca do Ideias na Mesa aqui!


 



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