Ideias na Mesa - Blog


Posts Relacionados com a(tag):Amamentação

postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 28 de Abril de 2017

O comida na tela dessa semana traz uma dica cinematográfica para fechar esse mês de abril no qual tratamos sobre o conflito de interesses.

Tigers do diretor-escritor e vencedor do Oscar, Danis Tanovic, tem 90 minutos de duração e denuncia o lobby da indústria de leite artificial e seu consequente prejuízo à saúde dos bebês.

O filme é baseado na história real de Syed Aamir Raza (Ayan), um paquistanês que, ao trabalhar como representante de vendas da Nestlé em seu país, descobre que está promovendo um produto que causa diversos problemas de saúde em bebês, como desnutrição, diarreia e até mortes.

Apoiado pela sua família e pela Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (Ibfan) do Paquistão, Ayan decide denunciar as estratégias agressivas e ilegais que a empresa utiliza para promover seu produto. Como consequência, ele passa a ser perseguido por seus antigos empregadores.

O prestigiado longa foi lançado no Festival de Cinema de Toronto, Canadá, San Sebastian, Espanha e Zurique, em 2014. Em terras brasileiras, além de ter sido exibido durante a 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo 2016, a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, a IBFAN Brasil e o Idec já realizaram duas sessões seguidas de debates com o idealizador do filme e representantes das entidades em 2017. Elas aconteceram no Rio de Janeiro e em São Paulo, e as entidades também planejam levar o cinedebate para a capital federal.

Além de uma boa opção de entretenimento para o fim de semana, o filme traz um exemplo concreto e verídico sobre como o conflito de interesses está presente em nossa sociedade e passa desapercebido ou é banalizado trazendo inúmeros prejuízos.

 

  


 

 



postado por Maína Pereira em Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016

O que você acharia se um macaco ou uma ama de leite geneticamente modificada amamentasse nossos filhos no futuro?

grande mae

Na obra Grande Mãe (2005), a artista Patricia Piccinini traz o questionamento sobre a história ancestral da maternidade diante da dinâmica do mundo contemporâneo.

Quais reflexões sobre o ato de amamentar surgem ao apreciar a obra? Compartilhe conosco!

Atualmente, a obra pode ser visitada no Centro Cultural do Banco do Brasil de Brasília na exposição ComCiência. 



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Quarta-feira, 28 de Outubro de 2015

 

 

Com a inserção da mulher no mercado de trabalho, a vigência das leis trabalhistas e a regulamentação da licença maternidade, a amamentação tornou-se um pouco dificultada. O Ministério da Saúde recomenda que este ato seja inteiramente exclusivo até os seis meses de idade e após a introdução da alimentação complementar, persistido até os dois anos de idade.  Mas como fazer isso após o término da licença? O que a mulher deve fazer? E por que a amamentação é de tão extrema importância?

O [Biblioteca do Ideias] de hoje traz a “Cartilha para a mãe trabalhadora que amamenta”, publicado pelo Ministério da Saúde em 2010. Este folheto tem como principal objetivo mostrar os direitos das mulheres tanto como trabalhadoras, tanto como mães, enunciar a importância do aleitamento materno e as principais maneiras de realizar a ordenha e continuar a amamentação de seus filhos mesmo tendo que retornar às suas atividades no trabalho. A publicação, bem dinâmica e ilustrativa, pontua muito bem dúvidas comuns às mães trabalhadoras, tornando-as mais conscientes, autônomas e independentes em suas escolhas de como proceder nestas relações.

Confira abaixo uma das  imagens da cartilha:

 Lembre-se também que as mulheres têm o direito de amamentarem em público sem discriminação ou preconceito! Respeite-as!

 

Para ler a publicação na íntegra, acesse pela nossa [Biblioteca do Ideias], no link: http://goo.gl/aGUba1



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quarta-feira, 05 de Agosto de 2015

A amamentação faz parte das interpretações culturais do ser humano e contêm traços de ideologias de afeto e emoção. Entretanto algumas perspectivas sociais, econômicas e culturais transformaram esse ato em algo regulável pela sociedade.

Todas as mudanças que aconteceram nas representações do papel da mulher na sociedade, sejam desde o ingresso no mercado de trabalho até a sua vida reprodutiva interferiram no ato de amamentar.

Surgiram inúmeras imposições socioculturais que levaram o desmame precoce acontecer rotineiramente entre as mulheres, tornando o ato em uma figura presente nas agendas de saúde publica e criou um novo mercado para as indústrias alimentícias, ao mesmo tempo em que culpabilizou as mulheres pelo desmame e seus efeitos na saúde das crianças.

Orlandi aponta como um dos fatores do declínio do aleitamento materno as mudanças da estrutura familiar na sociedade moderna urbana. Reforçando esse pensamento, o autor argumenta que a jovem mãe “não tem mais o apoio, a ajuda e o incentivo dos parentes mais velhos (avós, tias, irmãs, etc.), elementos facilitadores do aleitamento materno”.

Hoje existem vários programas e iniciativas que incentivam e buscam pensar a amamentação de outra forma, sem o reducionismo biológico da mulher e o modelo machista higienista presente nos anos 80, que não escutou as principais afetadas pelas políticas, as mulheres, como bem concluiu Orlandi:

“Seja como for, os seios, por muito tempo, despertarão um interesse político. Mas é preciso lembrar que eles pertencem às mulheres e que elas não são chamadas a opinar e a decidir na política do aleitamento materno desde o século 18. No século 20, os homens continuam cometendo os mesmos erros”.

Portanto busca-se um novo foco sobre o papel da mulher na amamentação, baseado no seu direito de amamentar ou não.

 O IBFAN é uma rede que traz essas iniciativas, que visa a promoção do aleitamento materno como direito daquelas mulheres que assim desejam amamentar.

O artigo “Amamentação: um híbrido natureza-cultura”  buscou trazer essa nova forma de pensar a amamentação, o papel da mulher, as vantagens de amamentar e a necessidade de construir um modelo que não determine biologicamente o ato de amamentar.

Veja o artigo completa em nossa biblioteca aqui: http://goo.gl/HUrDdW



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 06 de Agosto de 2014

Essa semana se comemora a Semana Mundial do Aleitamento Materno, que acontece anualmente entre os dias 1 e 7 de agosto. Desde 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolve ações voltadas a saúde da criança devido a grande preocupação com a mortalidade infantil. 

Em 1990 de um encontro organizado pela OMS e pela UNICEF resultou em um documento que promove e protege a amamentação. Esse documento conhecido como "Declaração de Innocent" apresentou 4 objetivos operacionais, são eles:

• Estabelecer um comitê nacional de coordenação da amamentação;
• Implementar os "10 passos para o sucesso da amamentação" em todas as maternidades;
• Implementar o Código Internacional de Comercialização dos Substitutos do Leite Materno e todas as resoluções relevantes da Assembléia Mundial de Saúde;
• Adotar legislação que proteja a mulher que amamenta no trabalho.

mae2Dentro desse contexto em 1999, João Almeida publicou o livro "Amamentação. Um Híbrido Natureza-Cultura.". Nesse período o desmame precoce estava sempre presente na agenda da saúde pública no Brasil. 

O autor utiliza o biológico e social como fio condutor para unir os quatro eixos de problematização que compõe os quatro capítulos do livro, sendo eles: “Amamentação: a relação entre o biológico e o social”; “Dimensões socioculturais da amamentação no Brasil”; “A rede sociobiológica desenhada pelo leite humano”;  “Bancos de leite humano: o estabelecimento de um novo paradigma”.

Esse movimento de construção tem por objetivo buscar os elos que unem o biológico e o social no cenário da amamentação, configurando-a, portanto, um híbrido natureza-cultura. Dessa forma fatos sociais e fenômenos biológicos que até então eram considerados eventos independentes e imiscíveis, como amamentação e leite fraco, são postos lado a lado e tratados sob a mesma perspectiva – a de lidar com os híbridos.

O livro ressalta ainda a supervalorização do conhecimento científico em detrimento dos demais possibilitando construções científicas, que visam atender interesses particulares de grupos sociais, como aqueles sustentados pelo marketing de alguns fabricantes de leites modificados.

O objetivo do livro é levantar questionamentos que permitem o desenvolvimento de ideias e reflexão do leitor.

mae1Além do livro, em 2004, João Almeida junto com Franz Novak publicam um artigo com o mesmo título do livro que busca contribuir para a construção de uma nova síntese teórica das inter-relações entre o biológico e o social no cenário da amamentação, categorizando-a com um híbrido natureza-cultura a partir da análise de documentos históricos, livros, artigos científicos e teses de medicina escritas nos séculos 19 e 20. Dessa forma, a amamentação simboliza mudanças teóricas e metodológicas ocorridas especialmente no final da década de 90, que correspondem a uma revalorização da biologia e a um aprofundamento nos processos interdisciplinares.

Hoje, segundo o Unicef, apesar dos benefícios comprovados, menos de 50% dos recém-nascidos no mundo são amamentados em sua primeira hora de vida. E apenas 38% das crianças com menos de seis meses são alimentadas exclusivamente pelo leite materno durante esse tempo. Ainda de acordo com o Fundo,  aconselhamento, educação e apoio podem aumentar os índices de aleitamento materno exclusivo entre crianças com menos de seis meses de idade em até 90%. Dessa forma, apesar dessas publicações serem de 10 anos atrás ou mais, a discussão sobre os fatores que interferem na amamentação ainda se constitui atual.

Tanto o livro quanto o artigo se encontram na nossa biblioteca e podem ser acessados pelos seguintes links:

- Livro: http://www.ideiasnamesa.unb.br/index.php?r=bibliotecaIdeias/view&id=224

-  Artigo: http://www.ideiasnamesa.unb.br/index.php?r=bibliotecaIdeias/view&id=225



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